O ramo de seguro automóvel é o carro-chefe no cenário do mercado segurador brasileiro, à exceção dos produtos do ramo vida e saúde. Dados da SUSEP mostram que no ano passado este ramo apresentou faturamento total de R$ 32,5 bilhões diante do faturamento total de R$ 365 bilhões, com um aumento observado de 3,5% em relação ao faturamento de 2014.

Analisando o seguro auto frente aos demais ramos, a CNSeg constatou que em 2015 o seguro automóvel foi responsável por 47% do total de arrecadação dos Ramos Elementares. Considerando o período de janeiro à março de 2016, o seguro de automóvel mantém a liderança de faturamento (prêmios diretos) correspondendo à 42,1% do total arrecadado.

contratacao de ramos elementares

Muito provavelmente por ser o ramo mais representativo no país, o seguro auto também é campeão em sinistros, fraudes e outras irregularidades. Em 2015, por exemplo, foi registrado um aumento de 3,8% dos sinistros ocorridos, com pagamento de indenizações totalizando R$ 20,4 bilhões. No período entre janeiro e março de 2016, as empresas já pagaram R$ 5,28 bilhões em indenizações, um aumento de 4,9% do mesmo período no ano passado.

Em um estudo da CNSeg que acompanha o crescimento dos indicadores de fraudes dos últimos anos, o número de sinistros suspeitos quase que dobrou em comparação à 2013.

quatificação de fraude

Fraude em tempos de crise

Fraudes e irregularidades são passíveis de ocorrerem ao longo de todo o ciclo de vida do seguro automóvel e podem ser oriundas tanto de crime organizado quanto de fraudes oportunistas, quando ocorrem, por exemplo, inexatidão no perfil para redução de prêmio, inversão de responsabilidade em colisões envolvendo terceiros, comunicação de roubos e furtos inexistentes além de omissão de informações sobre acidentes. Estudos apontam que em tempos de crise há um aumento do número de fraudes em sinistros e as seguradoras precisam estar muito atentas à possíveis crimes deste tipo.

Além aprimorar a troca de informações junto às empresas parceiras para a realização de vistorias prévias (para a contratação do seguro) e de constatação (no momento após o sinistro ocorrido), as seguradoras também podem contar com a tecnologia aliada aos processos de vistoria. O uso de tecnologias disruptivas podem ser de grande ajuda para a prevenção à fraudes, uma vez que, por exemplo, permite o registro do acidente em tempo real, por meio de devices mobile, com captação de vídeos e fotos à serem enviados à seguradora.  

Tecnologia como aliada na luta contra fraude

Já existe disponíveis no mercado soluções para automatizar o processo de vistoria do veículo, tanto no caso de vistoria prévia do automóvel quanto na vistoria de constatação em caso de sinistro. Essas soluções podem gerar ganhos para a seguradora como redução de custos, agilidade e segurança nos processos de vistoria automóvel. Através de aplicações mobile o processo pode ser feito parcial ou totalmente digital através de qualquer dispositivo móvel, seja pelo parceiro de vistoria seja pelo segurado, sem alterar nenhum procedimento atual interno das seguradoras.

Este tipo de tecnologia aplicada ao processo de vistoria permite ainda a customização e a criação de regras de aprovação, de acordo com os procedimentos internos de cada seguradora. Por ser totalmente integrada aos sistemas da seguradora, possibilita maior transparência e qualidade nos processos que abrangem a vistoria do veículo.

As seguradoras têm grande preocupação com este tema e investem forte para evitar fraudes:

“Investimos continuamente em tecnologias, sofisticados modelos analíticos preditivos, entrevistas cognitivas, pesquisa em mídias sociais, treinamentos e novos processos na aceitação e na regulação de sinistros”. Dennis Milan, diretor de Operações e Sinistros da Liberty Seguros.

Milan afirmou para o portal CQCS que prevenir e combater fraudes é uma responsabilidade de todo o mercado, pois impacta seguradoras, corretores, prestadores e entidades relacionadas.

Posted by Redacao InsideSeg