Na última sexta-feira, dia 12 de maio, um ciberataque de grande proporção originado pelo ransomware WannaCry se espalhou rapidamente por todo o mundo e mostrou o quanto os sistemas e informações sigilosas estão frágeis às ações criminosas. Foram mais de 150 países com computadores e sistemas afetados, contabilizando até segunda-feira, dia 15, a invasão de pelo menos 300 mil computadores. Além disto, o ataque conseguiu invadir sistemas de grandes empresas, como a Telefônica espanhola e sistemas de serviços públicos em Londres.  

O que é um ransomware?
É um tipo de ‘vírus sequestrador’ que age codificando os dados dos computadores de maneira que o usuário não consiga mais acessar. Assim é cobrado um valor para o resgate dos arquivos, geralmente com pagamento sendo realizado em Bitcoins para dificultar o rastreio do criminoso.

O ataque mundial acabou por reacender as discussões sobre a importância do seguro cibernético, principalmente para grandes companhias. Em mercados mais maduros como nos EUA, o seguro cibernético movimenta um valor aproximado de US$ 4 bilhões em prêmios anualmente, com 20% das empresas americanas cobertas pelo seguro. Atualmente os EUA representa o maior mercado para seguro cibernético. No Brasil o cenário é outro, apenas 1% das empresas tem proteção com apólices de seguro cibernético no país. Segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), em 2016, o mercado de proteção à ataques cibernéticos movimentou cerca de R$ 2 milhões, sendo negociados uma média de 50 apólices de seguro cibernético por ano. Para especialistas do setor  o mercado de seguro cibernético no Brasil ainda se mostra pouco expressivo, apesar do quadro promissor.

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Segundo Gustavo Galrão, coordenador da subcomissão de linhas financeiras da FenSeg, em entrevista para Reuters, isto ocorre porque ainda há dificuldade do corretor demonstrar a importância em ter uma apólice que trate exclusivamente de ciberataques. Para completar, a maioria dos líderes de T.I das empresas acreditam ter tecnologia de proteção suficiente em seus sistemas, não julgando necessário ter ‘despesas extras’ para algo tão específico. Nesse cenário temos as apólices de seguros convencionais cobrindo, em certos aspectos, perdas relacionadas à vírus ou ataques hackers, mas não de maneira detalhada e abrangente.

Brasil também é alvo de ataques cibernéticos

Segundo a Norse Corp, empresa de vigilância e seguros digitais, em um ranking sobre países alvos de ataques cibernéticos, o Brasil ocupa primeiro lugar dentre os países da América Latina, e se encontra entre os 15 primeiros países a nível mundial. De acordo a resseguradora Allianz, as perdas relacionadas à crimes cibernéticos no país totalizam US$ 7,7 bilhões anualmente. Já em um balanço específico sobre o  ataque WannaCry, o Brasil ficou na lista dos dez países mais atingidos, ficando atrás de países como a Ucrânia, Taiwan e Índia.

Para Andre Gregori, da ThinkSeg, as empresas brasileiras ainda são ligadas à grupos com nomes reconhecidos no mercado de tecnologia para armazenar seus dados, porém elas acabam dando menos importância ao tráfego de informações. “Isso faz com que o seguro para riscos cibernéticos seja inexpressivo no Brasil, mas, a cada dia, se faz mais necessário”, complementa.

O seguro cibernético tem o objetivo principal de proteger contra extorsão. O seguro geralmente prevê cobertura em riscos de divulgação de dados e informações privadas, como também a de possíveis gastos com advogados para recuperação de imagem ou do lucro cessante, que seria o montante que a empresa deixou de ganhar por conta do ataque cibernético.

Posted by Redacao InsideSeg